Fauna
A sub-bacia do rio Sousa, apesar de se encontrar menos bem explorada do ponto de vista botânico do que a sub-bacia do rio Ferreira (em particular o troço incluído no Sítio da Rede Natura 2000 “Valongo”), inclui alguns locais de assinalável valor botânico e com um considerável potencial para fins de conservação e promoção eco-turística.
A rede hidrográfica e vegetação associada – Grande parte do rio Sousa e dos seus principais afluentes possui ainda galerias ripícolas arbóreas (habitat 91E0 do Anexo I da Directiva “Habitats”, considerado prioritário no contexto Comunitário) relativamente bem estruturadas, se bem que ruralizadas por diversos processos de humanização da paisagem (agricultura, silvicultura, expansão urbana). Estas galerias ripícolas são tipicamente dominadas pelo amieiro, pelo salgueiro-negro e pelo freixo.
O narciso endémico Narcissus cyclamineus (espécie listada no Anexo II da Directiva “Habitats”), ainda não confirmado até ao momento na sub-bacia do rio Sousa (mas conhecido no seu afluente rio Ferreira), constituirá o elemento florístico de maior valor neste ambiente, que se caracteriza, em geral, por possuir uma elevada diversidade de espécies de plantas com floração particularmente vistosa.
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Além dos rios Sousa e Ferreira, também os rios Cavalum e Mezio e a ribeira de Santa Comba possuem, em alguns troços, galerias ripícolas de valor considerável. Além dos rios principais, assumem também importância em termos de conservação as pequenas linhas de água tributárias. Aí podemos encontrar vegetação de ambientes húmidos de carácter oligotrófico (habitat 7150 do Anexo I da Directiva “Habitats”), cada vez mais rara em zonas de baixa altitude, como as comunidades com esfagnos e plantas insectívoras.
A vegetação das áreas serranas – As formações vegetais naturais mais comuns na sub-bacia do rio Sousa são os matos rasteiros (habitat 4030 do Anexo I da Directiva “Habitats”), particularmente nas áreas serranas acima identificadas. Normalmente, a composição destas comunidades é muito estável e formada por um pequeno número de espécies. Sobre xistos são dominados por carqueja, torga e um tojo endémico. Sobre granitos, os matos são dominados por outras espécies de tojo, o tojo-arnal e o tojo molar. Nas clareiras destes matos rasteiros, ocorre um endemismo de distribuição muito restrita (uccisa pinnatifida e são comuns os tomilhais de Thymus caespititius (habitat 8230 do Anexo I da Directiva “Habitats”), que na Primavera apresentam uma floração violácea extremamente chamativa. Em alguns locais, os matos evoluem para matagais dominados pela giesta-negral ou pelo medronheiro e pela urze-vermelha. Quando se instalam em zonas húmidas nas proximidades das linhas de água, os matos são dominados pela lameirinha, tojo-molar e um arbusto espinhoso endémico do Noroeste da Península Ibérica, o arranha-lobos, constituindo um habitat prioritário do Anexo I da Directiva “Habitats” (4020).
Carvalhais e outras formações florestais – Os carvalhais (habitat 9230 do Anexo I da Directiva “Habitats”), que outrora teriam dominado a paisagem vegetal do território, encontram-se actualmente limitados aos fundos de vale e ocorrem, de forma dispersa e muito fragmentada, um pouco por toda a bacia, geralmente em contacto com as galerias ripícolas. Estas formações, apesar de escassas, são, no entanto, muito interessantes do ponto de vista biogeográfico porque se encontram repletas de elementos característicos das florestas mediterrânicas. Para além do sobreiro, que acompanha o carvalho-alvarinho no estrato arbóreo, podemos encontrar no estrato arbustivo o aderno, a murta, o folhado e a recama. Na parte terminal do rio Sousa, estes carvalhais são orlados por bosquetes de loureiro, típicos de zonas declivosas e com alguma humidade. Estes loureirais possuem um elevado valor para conservação, pelo seu carácter relíquia e pelo seu estatuto de habitat prioritário do Anexo I da Directiva “Habitats” (5230).
Escarpas e afloramentos rochosos – Grande parte dos dados disponíveis relativos à flora com maior valor para conservação reporta-se à zona da Senhora do Salto, uma das mais espectaculares de toda a bacia, onde estão registadas algumas plantas importantes como o feto relíquia Davallia canariensis, com ocorrência muito pontual no país e o endemismo do Noroeste Ibérico Silene marizii, ambos associados às impressionantes escarpas e afloramentos rochosos (habitat 8220 do Anexo I da Directiva “Habitats”) que caracterizam este local.
No contexto deste habitat, é também altamente provável a ocorrência, na sub-bacia do rio Sousa, de outros endemismos ibéricos da flora rupestre portuguesa, como é o caso de Silene acutifolia, Anarrhinum duriminium, Leucanthemopsis faveola e Dianthus laricifolius.
Em síntese, pode afirmar-se que a sub-bacia do rio Sousa apresenta, em alguns troços, importantes representações de habitats naturais, sendo as galerias ripícolas dos principais rios, as restantes florestas naturais (carvalhais, sobreirais, loureirais), as comunidades de ambientes rochosos, os matos rasteiros e as zonas húmidas associadas aos pequenos cursos de água os elementos mais significativos no que se refere à flora e à vegetação.
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