A Ponte de Veiga, na freguesia de Torno, é uma pequena ponte medieval que transpõe o rio Sousa, apoiando-se em cavalete sobre um arco redondo. O seu tabuleiro mostra, ainda, restos do empedramento original e indícios de ter possuído guardas laterais.
Fazendo parte da densa rede viária local e regional que, na Idade Média, ligava a multiplicidade de núcleos de povoamentos originários do modelo de dispersão que ainda hoje conhecemos, esta ponte estava inserida numa via que, embora não constando dos itinerários medievais principais, ligava transversalmente duas estradas importantes: a que vinha de Guimarães para Penafiel e para o Marco de Canavezes, por Vila Boa de Quires, passando por Vizela e Lousada, e a que vinha, também, de Guimarães para Amarante, atravessando o Vizela em Vila Fria, passando por Pombeiro, Estrada, Caramos, Mouta, Espiúca e Vila Cova da Lixa. Estas duas estradas apresentam, ainda, alguns troços lajeados em razoável estado de conservação. A ponte de Veiga inseria-se, então, numa via secundária que, começando na bifurcação da estrada que vinha de Guimarães para o Marco de Canavezes, ligava Alvarenga, Cernadelo, Aião, Vila Verde, Santão, Vila cova da Lixa e Ladário, onde entroncava na via principal Guimarães – Amarante.
A marginá-la, alguns exemplares do românico rural, como as igrejas de Alvarenga e Cernadelo, e um exemplar do românico de transição em Santão. Não se conhecem referências a esta ponte na documentação medieval analisada até ao momento, mas, apesar da cronologia incerta e de haver dados que a permitem atribuir à iniciativa eclesiástica ou senhorial, pode perfeitamente estar ligada ao surto de construção pontística que nos séculos XIV e XV foi encabeçada pelos corregedores dos concelhos.
Até à data de execução do projeto a ponte apresentava-se muito destruída, em função do abandono a que esteve votada, principalmente por o trânsito ter sido desviado após a construção de um pontão moderno, que erradamente ficou muito próximo daquela. O projeto desenvolveu-se nas seguintes fases: limpeza da ponte e de toda a zona envolvente; consolidação e restauro dos arcos do tabuleiro a montante a jusante; reposição do pavimento original, depois de regularizado, e reconstituição das guardas laterais.