Nos dias 10 e 11 de março, decorreu o III Encontro PROVE-3C, uma iniciativa organizada no âmbito do projeto de cooperação 3C – Cooperação em Circuitos Curtos, co-financiado pelo PDR2020. O projeto resulta de uma parceria da ADER-SOUSA, ADREPES, ATAHCA, DUECEIRA, LEADER OESTE e RAIA HISTÓRICA e o evento reuniu profissionais e produtores no fortalecimento dos circuitos curtos alimentares.
A manhã do primeiro dia, realizada na Aldeia de Quintandona, em Penafiel, contou com a participação de 75 pessoas e teve início com as palavras de boas-vindas de Pedro Cepeda, Presidente da ADER-SOUSA e Vice-presidente do Município de Penafiel. Pedro Cepeda, destacou a importância de projetos em cooperação, que promovem a união e o desenvolvimento local. A seguir, Paulo Ramalho, Vice-presidente da CCDRN, abordou a relevância dos circuitos curtos e a importância do trabalho em rede, sublinhando que as associações de desenvolvimento local podem desempenhar um papel ainda mais interventivo nos territórios.
A sessão seguiu com uma palestra de Maria José Ilhéu, fundadora da Associação Alimentar Cidades Sustentáveis, que explorou o conceito de Cooperação em Circuitos Curtos. Na sua intervenção, traçou um panorama sobre o sistema agroalimentar global, os fatores que impulsionaram o surgimento dos circuitos curtos e a aplicação desses conceitos nos cabazes, com ênfase no PROVE, destacando os 20 anos de evolução do projeto.
Os parceiros do projeto apresentaram, em seguida, os resultados alcançados, com destaque para a importância do apoio técnico, a implementação do Sistema de Garantia Participativa – incluindo o testemunho de um consumidor – e a criação de um novo site e sistema de gestão do PROVE. Também foi referido o trabalho realizado por uma doutoranda da Universidade Católica do Porto, que desenvolveu um estudo sobre as características microbiológicas e químicas de hortofrutícolas em algumas explorações PROVE, resultando num manual de boas práticas. Outros temas abordados incluíram os encontros regionais e nacionais, os desafios da economia circular e a importância da divulgação do PROVE por meio de soluções digitais e eventos. A sessão foi encerrada por José da Mota Alves, Diretor da ATAHCA, José Polido, Diretor da ADREPES, e Maira da Luz Pedroso, Diretora da DUECEIRA, que ressaltaram a importância de dar continuidade ao trabalho até então desenvolvido.
Na parte da tarde, foi realizada uma formação sobre “Produção biológica – boas práticas agrícolas aplicadas aos circuitos curtos”, conduzida por Ângela Pereira, da Bio-Brássica. A formação abordou as práticas necessárias para a transição para a produção biológica e os cuidados necessários na produção de hortofrutícolas nesse modo.
Devido ao mau tempo, a visita às explorações foi reduzida, mas os participantes puderam conhecer a exploração de Paula Rocha, em Bustelo – Penafiel. Paula, que aderiu ao PROVE há dois anos, tem-se dedicado à instalação de estufas, substituindo a vinha, e ao cultivo de cebola Garrafal, fornecendo à Confraria do Presunto e da Cebola do Tâmega e Sousa, além de vender os seus produtos diretamente para restaurantes, lojas e outros produtores PROVE.
No dia 11, o encontro, que contou com 60 participantes entre entidades dinamizadoras e produtores PROVE, foi realizado no Espaço Passado, Presente e Futuro, em Felgueiras e foi dedicado ao futuro do PROVE. O foco foi a constituição de uma entidade agregadora com o objetivo de aumentar o poder de negociação e fortalecer a comercialização dos produtos. A sessão iniciou com uma sondagem sobre a adesão dos produtores à nova entidade, que obteve uma decisão unânime. A Animar, entidade responsável pelo estudo de gestão e sustentabilidade da nova entidade agregadora, apresentou as suas conclusões. Após uma discussão produtiva, foi decidido avançar com o processo, mas com a previsão de um novo encontro no final de abril para esclarecer algumas questões pendentes.
Após o almoço, o grupo foi dividido em dois para visitas às explorações de Fátima e António Alves, em Macieira da Lixa, Felgueiras, e de Pedro Barbosa, em Frazão, Paços de Ferreira. A satisfação dos participantes foi unânime, com todos a destacar o sucesso do encontro e as enriquecedoras trocas de experiências.
O III Encontro Nacional PROVE 3C reforçou a importância da cooperação e sustentabilidade nos circuitos curtos alimentares, deixando uma forte expectativa sobre os próximos passos do projeto e a criação de uma entidade que fortaleça o poder de negociação e a comercialização dos produtos locais.