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Aldeia de Figueira – Penafiel

A freguesia da Figueira confronta com as freguesias de Valpedre, Pinheiro, Portela, Capela, Lagares e localiza-se no Centro Oeste do município de Penafiel, na fralda da serra do Mozinho, e encontra-se totalmente integrada na mancha geológica granítica.

A freguesia de Figueira está votada a um certo isolamento propiciado pela implantação a que está sujeita, já que está encaixada no planalto granítico do Mozinho a Este e pelo Monte Áspero a Oeste, existindo apenas uma pequena abertura a Sudoeste. Outro factor que contribui também para este isolamento, além das referidas condições geomorfológicas, é a distância face às principais vias de comunicação e dos rios navegáveis que servem o município.

A freguesia é constituída por três lugares espaçados entre si, e já referidos nas Memórias Paroquiais de 1758: Seixoso, Figueira e Igreja. O lugar da Igreja é a sede da paróquia, com o templo e o cemitério, onde se encontra ainda hoje um sarcófago monolítico de granito, sem decoração, com cavidade interior antropomórfica e tampa de secção pentagonal em duas águas, cuja cronologia rondará os séculos XII-XV. O lugar de Seixoso, isolado dos restantes lugares por uma mancha florestal densa, usufrui de maior proximidade com alguns lugares da freguesia de Lagares, como Ribas, do que com os outros referidos lugares da freguesia da Figueira. O lugar da Figueira é o maior e apresenta um povoamento concentrado com construções vernáculas de boa qualidade, no meio das quais de destaca a Casa de Pisão e os moinhos de rego servido pelo Ribeiro de Pisão ou de Figueira.

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Atualmente é uma das freguesias menos populosas do município, com apenas 351 habitantes segundo os Censos de 2001. O número reduzido de habitantes é uma tendência que se verifica desde a época medieval, pois já em 1085 “(…) era das menos povoadas do julgado, pois aí moravam 20 herdadores, distribuídos pelos dois casais da paróquia pertencentes ambos ao Mosteiro de Paço de Sousa.” Em 1385 o padroado foi unido à Mesa Abacial do referido mosteiro até ao século XVI, altura em que os bens da Mesa foram anexados ao Colégio da Companhia de Jesus de Évora, quando se procedeu à elaboração de um Tombo, “que identifica e descreve todos os direitos e propriedades, incluindo os casais do Pisão”, sendo neste enumerados os seus pisões de burel, os moinhos e o direito à partilha das águas do Ribeiro de Pisão.

Era nas serras circundantes e terrenos baldios que se apascentava os gados grossos e miúdos de Figueira, cuja propensão para a criação de gado está documentada desde a época medieval e novamente no século XVI pela existência dos pisões de burel que serviam para o apisoamento de tecido grosso de lã proveniente do gado dos referidos pastos.

No sopé do lugar de Figueira, formando um pequeno vale, concentram-se as principais terras agrícolas, bem irrigadas, que se estendem até à Ribeira de Lagares. Para proteger estes campos dos animais que pastavam no monte foram erguidas vedações – as portelas – para impedir a entrada destes animais, estando documentadas várias desde o século XVI.

Para além da igreja, singela e de construção em época contemporânea, e das alminhas que ali se encontram, o principal património edificado de Figueira destaca-se pelos seus moinhos de rego, num total de oito, que se distribuem desde o topo do Mozinho até ao aglomerado habitacional. Três destes moinhos localizam-se mais próximos da presa e estão espaçados entre si, enquanto os restantes cinco estão mais concentrados e distribuem-se desde o sopé do monte até ao casario. Estas unidades moageiras são servidas por águas que nasciam no Mozinho e que eram reunidas em duas presas. Atualmente apenas existe uma, a presa do Monte, a mais próxima dos moinhos e que foi alargada e reformulada aquando da recuperação dos mesmos.

O ribeiro que os serve desce da presa até aos campos agrícolas, e é conhecido por Ribeiro da Figueira, Ribeiro da Presa ou ainda Ribeiro dos Pisões. Este último nome deve-se provavelmente ao facto de no século XVI terem ali existido dois pisões de burel, também acionados por este mesmo ribeiro, que serviam para o apisoamento de tecido grosso de lã e que se localizavam entre o aglomerado habitacional, onde atualmente se localiza uma das melhores construções deste núcleo, a já referida Casa de Pisão. Os pisões de burel beneficiavam de maior inclinação do rego pelo facto de se localizarem mais a jusante, aproveitando assim maior força motriz da água, imprescindível para o funcionamento dos pesados malhos, tal como os moinhos que hoje em dia se localizam entre este aglomerado.

Os moinhos eram construções efetuadas diretamente sobre o rego, que encaminhava as águas desde a presa para os moinhos, podendo as águas serem ser desviadas por talhadouros, encaixes laterais para a colocação de comportas que, logo no início ou num entroncamento mais a jusante, possibilita o deslocamento das águas diretamente para os campos. Quem laborava nestes moinhos não eram moleiros profissionais, tal como acontecia noutras unidades moageiras do concelho, mas eram explorados diretamente pelos proprietários e consortes ou pelos seus criados e caseiros. As grandes casas locais, como a de Pisão, contavam com vários moinhos para serviço da própria casa e como também para fazer face às necessidades dos caseiros, “rodando” o seu uso entre estes. Na década de 40 do século XX, quatro destes oito moinhos pertenciam ainda à casa de Pisão.

Os moinhos de rego da Figueira são pequenas construções com áreas entre os 3,5 e 7m2, de uma só mó, cabendo em muitos deles apenas uma única pessoa. São estruturas construídas em granito local, cujo aparelho construtivo varia entre paredes fustes e um perpianho alinhado, aproveitando por vezes o afloramento granítico como alicerce, ou ainda talhado como parede e chão. Apresentam dois pisos: o inferior, designado por “inferno”, com duas aberturas opostas para entrada e saída de água, sendo neste espaço do leito do rego que encontramos o rodízio e a caleira que encaminha a água para as penas do moinho; o espaço superior apresenta habitualmente duas aberturas, a porta e uma fresta de ventilação e iluminação, sendo aqui que se encontra o equipamento de moagem, composto pelo pouso, com um orifício vazado ao centro para passagem da bucha e do veio, apresentando normalmente um rebordo elevado (exceto na parte frontal, para saída da farinha), contornando o encaixe circular para a mó andadeira. Esta última tem, em alguns dos moinhos, cruzes indicativas da posição de colocação, que auxiliam o moleiro na altura da recolocação, depois da picagem. Junto à porta os moinhos apresentam chão térreo ou cimentado, sendo o restante piso até ao pouso composto por soalho de madeira, onde geralmente se localiza o alçadouro que imprime movimento no rodízio. É também frequente encontrar neste compartimento o arame ou o pau que permitem desviar a água do moinho através de tornadouro de rabo ou de um pejadouro.

A cobertura destes moinhos é em telhados em xisto de duas águas, que se prolongam compondo um beiral, apresentando um alinhamento de telha formando a cumeada. O xisto era aqui um recurso próximo, localizado na mancha da serra Boneca e de Valongo, que entram nas vizinhas freguesias de Lagares e Capela (serras de Santo Antoninho e de Lousada).

A principal festividade do lugar de Figueira é hoje a dedicada à padroeira da paróquia, Santa Marinha, comemorando-se no fim-de-semana seguinte ao dia 18 de Julho, sendo a iguaria típica desta efeméride o cabrito assado com o arroz de forno. A favor desta festa anual revertia tradicionalmente a receita angariada no domingo seguinte ao dia de Reis, quando o povo da freguesia se organizava para a representação popular do “Auto dos Reis Magos”, hoje realizado de dois em dois.

Para aceder à Aldeia de Figueira, vindo do Porto, seguir pela A4 em direcção a Vila Real e sair na saída 10 em direcção a Baltar/Parada. Depois de pagar a portagem, à saída da A4, virar em direcção a Parada (para a direita), seguir pela EN 319 tendo em atenção que cerca de 2 km deve virar à direita para Sobreira, e continuar na estrada passar por Sobreira (Paredes), Lagares (Penafiel) e antes de chegar a Capela (Penafiel), virar à esquerda e seguir em direcção a Figueira.

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